Nossos visitantes

Agradecemos a todos os que nos dão a alegria de sua visita, ajudando-nos na divulgação da esclarecedora e consoladora mensagem espírita. Rogamos a Deus que a todos ilumine e proteja, com nossos votos de paz e saúde, amor e harmonia, onde quer que estejam...

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Tempo: concessão divina!


Estatísticas atuais têm mostrado que a expectativa de vida das pessoas vem aumentando consideravelmente nas últimas décadas. No Brasil, passou de 50 anos para aproximadamente 73 anos. Os avanços da Medicina e da tecnologia, a alimentação mais equilibrada, a prática de atividades físicas, representam um conjunto de situações que vêm favorecendo o prolongamento da existência física aqui na Terra.
Alimentados por teorias materialistas (embora digam que não o sejam), por não admitirem a continuidade da vida após a morte do corpo e por não aceitarem as múltiplas existências para a alma, muitos estão à procura da eterna juventude. Convictos de que “morreu, acabou” e que essa vida é a única que Deus nos dá, o que importa para essas pessoas é aproveitar e gozar essa existência ao máximo, prolongando o mais possível, seu tempo de vida.
Quanto mais tempo de vida, mais comprometimento! Isso, no entanto, não significa que não sejamos favoráveis à longevidade. Se Deus nos concede uma existência maior, a questão principal passa a ser essa: saberemos aproveitar, integralmente, esse período? Se já temos dificuldades em organizar nosso tempo para um dia, quanto mais para muitos anos!
Vejamos como as 24 horas do dia podem ser divididas, como ilustração para esse tema:
- 1/3 do dia reservado para o sono;
- 1/3 do dia reservado para o trabalho (seja ele profissional e/ou doméstico);
- 1/6 do dia reservado para os estudos
- 1/6 do dia reservado para outras atividades (alimentação, deslocamento, entretenimento, etc)
Livro: Baú de casos - médium Francisco Cândido Xavier
Se estendermos a divisão das horas do dia para os anos de vida, encontraremos uma surpresa incrível: o desperdício do tempo que nos foi concedido! Vejamos essas proporções para uma existência de 80 anos e teremos, aproximadamente:
- 30 anos dormindo
- 30 anos trabalhando
- 10 anos estudando
- 10 anos em outras atividades (alimentação, locomoção, entretenimento, etc)
Claro que essa divisão está baseada em termos gerais, variando muito de pessoa para pessoa. O objetivo principal é verificarmos o que estamos fazendo do tempo que Deus nos concedeu aqui na Terra. E aí surge a seguinte pergunta: desejar uma experiência com tantos anos de vida com qual objetivo? Apenas para continuarmos dormindo, comendo, consumindo e buscando diversão e passatempo?
Através dos depoimentos de Espíritos desencarnados, que encontramos em vários livros espíritas, sobretudo na coleção do Espírito André Luiz, pela psicografia de Francisco Cândido Xavier, e também na segunda parte da obra “Céu e Inferno ou a justiça divina segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, podemos constatar o quanto eles se lamentam do tempo perdido em suas existências, por não aproveitarem corretamente o tempo que lhes foi concedido.
O Espírito Emmanuel diz que a maior vergonha para o Espírito desencarnado, quando retorna ao plano espiritual, consiste justamente na tarefa não cumprida e nas tendências negativas não dominadas. Tarefa não cumprida significa tempo mal aproveitado, não apenas em desfavor de si mesmo mas, igualmente, em desfavor dos outros.
O mau uso do tempo está profundamente ligado à nossa maneira de encarar a vida aqui na Terra. Quanto mais materialista for a criatura, maior sua preocupação em prolongar sua existência de modo a aproveitar o máximo possível. Nesse sentido, o Espiritismo nos traz esclarecimentos profundos, concedendo-nos a oportunidade de considerar, de forma diferenciada, essa questão. Mostra-nos que, após a morte do corpo, a vida continua mais atuante, mais esplêndida, mais intensa, porém, em outra dimensão – a dimensão espiritual – e que a nossa situação, feliz ou infeliz, dependerá daquilo que tivermos feito na Terra.
A confiança no futuro e a certeza da continuidade da vida nos proporcionam coragem e fortalecimento moral para as dificuldades e as dores que enfrentamos em nossa existência.
Livro: Quem é o Cristo? - médium Raul Teixeira
A Doutrina Espírita esclarece que as aflições e vicissitudes estão relacionadas com nossas experiências infelizes de vidas anteriores; também ensina que nossa felicidade futura depende do que estivermos fazendo no agora! O apóstolo Paulo, em sua segunda epístola aos Coríntios, nos deixou uma lição sobre essa questão: “Eis agora o tempo sobremodo oportuno. Eis agora o tempo da salvação.” O que passou, está no passado. Para nós, o momento mais importante é o hoje, onde temos a liberdade de semear, mas teremos, certamente, a obrigatoriedade de colher.
Além disso, o que representa, diante da eternidade, alguns anos no plano material se o espírito é criação divina para a eternidade?
(Tema abordado na reunião pública do dia 15 de agosto de 2011)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Cuidados necessários no dia da reunião espírita

São comuns os comentários por parte dos freqüentadores de reuniões espíritas a respeito das dificuldades e do mal-estar que sentem no decorrer dos dias em que irão participar das reuniões. Isso acontece não somente com os freqüentadores mas também com os trabalhadores das casas espíritas, ou seja, os médiuns, doutrinadores, expositores, evangelizadores, etc.
Há alguns cuidados que são necessários, diremos mesmo que são fundamentais, para os dias em que iremos participar de reuniões espíritas, sejam elas quais forem, de estudo, de desobsessão, de atendimento fraterno, de trabalho assistencial.
Da mesma forma que nos submetemos a dietas e cuidados prévios quando temos necessidade de um exame físico, para a busca do equilíbrio orgânico, também são necessários alguns cuidados para alcançarmos nosso equilíbrio espiritual, quando participamos de reuniões espíritas. Vamos descrever alguns procedimentos, classificando-os por sua natureza.
Extraído do livro: "Para uso diário"- psicografia de Raul Teixeira

Cuidados com a alimentação

Nos dias de reunião, como ficamos uma boa parte do tempo sentados, ouvindo explanações, atuando mediunicamente ou esclarecendo Espíritos necessitados, devemos fazer uma refeição leve antes do horário das reuniões.
Deve-se evitar, nesse dia, principalmente antes das reuniões, a ingestão de alimentos de digestão difícil, a alimentação exagerada, a ingestão de bebidas alcoólicas e o uso de cigarros. Além de comprometer nosso bem-estar físico, ficamos com o hálito carregado, causando desconforto para aqueles com os quais ficamos próximos para o diálogo.
Comer exageradamente antes da reunião tem outra conseqüência negativa: causa um desconforto físico acentuado, propiciando a sonolência e a falta de atenção.

Cuidados com a vestimenta

Roupas apertadas causam desconforto físico, ainda mais se a pessoa se alimentou com exagero antes das reuniões.
Deve-se também levar em conta que as reuniões acontecem em lugares fechados, onde as pessoas ficam muito próximas umas das outras, facilitando a percepção de detalhes físicos uns dos outros.
O bom senso recomenda o uso de roupas discretas, evitando trajes sensuais. Esse fato fica mais difícil no verão em que as pessoas se vestem com roupas mais leves mas que, às vezes, não são condizentes com o ambiente de respeito que as reuniões espíritas exigem.

Cuidados com as atividades diárias

Sabendo que à noite iremos participar de um encontro sublime com a Espiritualidade Superior, devemos, dentro do que nos seja possível, organizar melhor nossas atividades nesses dias. Se tivermos essa possibilidade, evitemos o acúmulo de tarefas, as quais, muitas vezes, podem ser adiadas para o dia seguinte.
Quanto mais nos envolvermos com outras ocupações nesses dias, menos “espaço mental” haverá para a assimilação de ensinamentos valiosos para nossa organização e equilíbrio espiritual, que são nosso objetivo maior.

Cuidados de natureza espiritual
Extraído do livro "Brilhe vossa luz"- psicografia de Francisco Cândido Xavier
Muitas pessoas se queixam de grande mal-estar, físico e/ou espiritual nos dias das reuniões. Dizem que se sentem deprimidas, chorosas, tristes, irritadas; outras dizem que sentem dores no corpo, dores de cabeça, sonolência, ansiedade, etc. Dizem que nesses dias, “tudo dá errado”, impedindo que participem das reuniões.
Normalmente, nos dias das reuniões, somos assediados, com mais intensidade, por Espíritos necessitados de auxílio, os quais podem ser classificados em duas categorias gerais:

- Espíritos sofredores ou perturbados:
São eles que nos transmitem as sensações de dor e sofrimento moral que carregam. Muitos deles ainda sentem as mesmas dores que os levaram à desencarnação.
Importante frisar que esses Espíritos não se aproximam de nós porque queiram nos fazer algum mal. De forma alguma! O que eles buscam é o socorro para o seu sofrimento. Eles se aproximam de nós, porque sentem, mesmo inconscientemente, que de alguma forma conseguirão obter algum alívio para seus sofrimentos.
Mas, por que motivo os nossos Protetores Espirituais permitem que isso aconteça conosco? Por que eles não nos isolam desses tipos de influências? Eles permitem para aprendermos a separar sensações e emoções que nos caracterizam, que são nossas, das que pertencem a uma outra individualidade (no caso, o Espírito desencarnado). Além disso, como nos ensina Allan Kardec, em O Livro dos Médiuns, todos somos portadores de mediunidade; é por esse motivo que todos estamos sujeitos a sofrer esses tipos de influências.
Há também outro fator não menos importante. Quando participamos das reuniões espíritas, trazemos conosco esses irmãos sofredores, possibilitando que sejam tratados e orientados pela equipe espiritual. Dessa forma, também praticamos uma forma de caridade; ajudamos e somos ajudados. Se faltarmos às reuniões, negaremos esse auxílio, não somente para nós, mas também para eles.
A melhor atitude nesses dias, quando sentimos esses tipos de influências, é buscar auxílio através da prece, solicitando, ao nosso Protetor Espiritual, que nos ajude mas que ajude também a eles. Muitas vezes, precisamos passar o dia todo “sintonizados” com a oração, para podermos resistir a essas influências...

- Espíritos perturbadores:
A influência desses Espíritos é muito mais comum do que a anterior e muito mais difícil de ser suportada. Isso porque, na maioria das vezes, eles atingem o seu objetivo principal: o nosso desequilíbrio espiritual e/ou emocional. A arma principal da qual eles fazem uso é a irritação, procurando, de mil formas diferentes, nos desequilibrar nesse sentido.
Eles nos armam muitas “ciladas” de forma a evitar que compareçamos às reuniões, que ouçamos as palestras com atenção, que nos dediquemos aos estudos doutrinários. Isso acontece porque, ao conseguirmos nossa auto-iluminação, nosso autocontrole, deixaremos de oferecer campo para as suas influências perturbadoras. E é justamente isso que eles não querem que aconteça. Esses Espíritos também necessitam de ajuda mas são admitem ser ajudados.
Também ocorre que esses Espíritos estejam ligados a nós pelos nossos deslizes de vidas anteriores, buscando retardar nosso crescimento espiritual. Não deixa de ser uma forma sutil de vingança, para que possam continuar a exercer seu domínio sobre nós (o que se dá através da nossa mente; é um processo mental).
Recordamos aqui um ensinamento de Jesus para Espíritos dessa natureza: a necessidade de jejum e oração. É claro que Jesus não se refere a jejum de alimentos mas sim a jejum de pensamentos, sentimentos e atitudes. Muitas vezes somos nós mesmos que atraímos esses Espíritos, por nossa própria falta de autocontrole, por nossa tendência constante à cólera, ao mau-humor, ao azedume.
Podemos amenizar a influência desses irmãos, que no fundo também são sofredores, através da oração, mas também através do jejum de atitudes. Evitemos, nos dias de reuniões, sobretudo, as discussões, as agressões verbais, o uso dos palavrões.

Cuidados após as reuniões

Os mesmos cuidados que devemos ter antes das reuniões continuam valendo após as mesmas. Depois de recebermos bênçãos tão sublimes, ao retornarmos para nossas atividades, evitemos a alimentação exagerada, o uso de bebidas e/ou cigarros, as discussões em família, as fofocas, os comentários negativos em torno de qualquer assunto que seja.
Evitemos igualmente a sintonia com programas de TV de baixo teor, como noticiários e/ou filmes que abordem a violência, a criminalidade, a sensualidade, a imoralidade, o deboche das fraquezas humanas...
Há tantos e tão belos quanto instrutivos documentários, reportagens, filmes, palestras, que dignificam o ser humano! E, se nenhum desses recursos estiver ao nosso alcance, temos os livros espíritas, com seus contos, poesias, biografias de renomados Benfeitores Espirituais, que oferecem leitura mais amena, e igualmente instrutiva, preparando nosso Espírito para uma noite de paz e refazimento...
Com esses cuidados, que aos poucos vamos aprendendo a ter, passaremos a honrar, de maneira digna, as bênçãos que os Benfeitores Espirituais nos dispensarão, por amor, nos dias da reunião espírita!

(Tema abordado na reunião pública do dia 8 de agosto de 2011)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

As diversas moradas na casa do Pai

Montanha de gás e poeira na Nebulosa Carina com três anos-luz de extensão
Foto obtida pelo Telescópio Hubble -  www.hubblesite.org

Nas vésperas das comemorações da Páscoa, em Jerusalém, Jesus e os discípulos estavam reunidos em um pequeno recinto. Num ambiente de amizade e confiança, entregavam-se a uma modesta refeição. No entanto, um clima de tristeza pairava no ar. Somente Jesus sabia o que as próximas horas reservariam a Ele.
O Mestre conversou longamente com os discípulos, os quais, naquele momento, não compreenderam, integralmente, tudo o que lhes foi dito. Jesus sabia que em breve estariam separados.
Entre as muitas palavras de encorajamento, consolo e esperança, lhes disse: “Há muitas moradas na casa de meu Pai.”, conforme encontramos no Evangelho de João, no capítulo 14.
Allan Kardec, no Capítulo 2 de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, trata exclusivamente do significado dessas palavras, referindo-se não somente aos diversos “mundos que circulam no espaço infinito” mas também aos diferentes estados da alma na erraticidade onde serão mais ou menos felizes conforme estejam mais ou menos libertas das atrações materiais.
Encontramos também, no referido capítulo, no item 4, as diversas categorias de mundos, conforme o grau de adiantamento moral de seus habitantes. Kardec assim os classifica, baseado nos ensinamentos dados pelos Espíritos Superiores:
1 – Mundos primitivos: onde se verificam as primeiras encarnações da alma humana.
2 – Mundos de expiação e de provas: aqueles em que o mal ainda predomina.
3 – Mundos regeneradores: onde as almas que ainda têm o que expiar adquirem novas forças, repousando das fadigas da luta.
4 – Mundos felizes: onde o bem supera o mal.
5 – Mundos celestes ou divinos: morada dos Espíritos purificados, onde o bem reina sem mistura.
Nosso planeta Terra pertence à categoria 2 – Mundo de expiações e provas. É por esse motivo que nela o mal ainda predomina e o homem está exposto a tantas misérias.
Pelos conflitos constantes entre gerações, pelos flagelos que tem se abatido sobre as populações e por todas as dificuldades para a sobrevivência, os Espíritos Amigos nos afirmam que estamos passando por um período de transição de um mundo de expiações e provas para um mundo de regeneração.
Nebulosa Borboleta -  Telescópio Hubble - www.hubblesite.org
Informam também que Deus concedeu a vários Espíritos, vindos de planetas menos evoluídos que a Terra, mas com algum progresso, a permissão de reencarnar em nosso planeta, com o objetivo de alcançarem, mais rapidamente, um progresso intelectual, moral e espiritual. No entanto, muitos desses Espíritos estão reincidindo nos mesmos erros e, portanto, não poderão, futuramente, continuar reencarnando na Terra quando esta passar para um mundo de regeneração.
Nos mundos de regeneração o mal ainda existe pois seus habitantes não são ainda perfeitos. No entanto, como o bem será o caminho mais freqüentado, o mal aos poucos deixará de se manifestar.
Quando na oração do Pai Nosso dizemos “venha a nós o Vosso Reino”, devemos nos lembrar que, para que o Reino dos Céus chegue até nós é preciso primeiramente que nós nos elevemos até ele.
Para quem duvida da existência de vida plena e abundante em outros planetas, que somente aqui no planeta Terra é que se encontra toda a Humanidade, recomendamos o vídeo abaixo.



(Tema apresentado na reunião pública do dia 25 de julho de 2011)

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Zaqueu, o merecedor de receber um hóspede sublime

Um homem rico, chefe dos cobradores de impostos, odiado pelos judeus, torna-se merecedor de receber, em sua casa, um hóspede muito especial. Esse homem chamava-se Zaqueu. Talvez por isso é que esse nome, em hebraico - Zacai - signifique "merecedor". Os que o viam com maus olhos não faziam ideia de que ele era um homem bom; não lhe concediam uma oportunidade de revelar quão bondoso era seu coração.
Somente o Evangelho segundo Lucas é que narra seu encontro com Jesus (capítulo 19, versículos 1 a 10). Recordemos:
"Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade. Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos. Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando Ele passasse por ali. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: 'Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.' Vendo isto, todos murmuravam e diziam: 'Ele vai hospedar-se em casa de um pecador...'. Zaqueu, entretanto, de pé, diante do Senhor disse-lhe: 'Senhor, doravante dou a metade dos meus bens aos pobres, e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quadruplo.' Disse-lhe Jesus: 'Hoje entrou a salvação nesta casa; porquanto também este é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.'"
Analisando cada trecho, encontramos valiosas lições.
* Jesus entrou em Jericó e ia atravessando a cidade.
Jericó - um oásis no deserto da Judéia
Esse acontecimento ocorreu dias antes da entrada de Jesus em Jerusalém, antecedendo os momentos finais de Sua missão. Ele esteve somente uma vez na cidade de Jericó (a cidade das palmeiras), situada 27 km a leste de Jerusalém, às margens do Rio Jordão. Jericó foi uma importante cidade para os hebreus, desde os tempos de Moisés. Era rota de passagem de mercadorias vindas do Oriente, a caminho para Jerusalém e o Mar Mediterrâneo.
* Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu, chefe dos recebedores de impostos.
Os judeus sentiam muita revolta pelo pagamento de impostos aos romanos, pois os valores arrecadados eram utilizados para manter o Império e seu exército nos locais dominados. Os judeus não se relacionavam com os publicanos, os quais consideravam impuros. Por esse motivo, Zaqueu sofria muito, embora materialmente nada lhe faltasse. Ele já possuía algum conhecimento dos feitos de Jesus e, sendo assim, guardava, no fundo do coração, o desejo de se encontrar com aquele que talvez o compreendesse. 
* Ele procurava ver quem era Jesus, mas não o conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. 
Quando viu que uma multidão entrava pela cidade, ficou sabendo que se tratava de Jesus. Zaqueu vivia atento ao ambiente que o rodeava, na expectativa de uma ocasião oportuna. Essa oportunidade foi ofertada por Jesus. É isso que ocorre em nossa vida. É Deus que nos concede as oportunidades de nos aproximarmos de Seus ensinamentos, mas é necessário, de nossa parte, saber aproveitar esses momentos. Não foi à toa que, estando já em casa de Zaqueu, Jesus contou a Parábola dos talentos (ou das minas), narrada por Lucas nos versículos 11 a 28 do mesmo Capítulo 19. Os talentos são as oportunidade que Deus nos concede e que cabe a nós saber aproveitar.
* Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando Ele passasse por ali.
Sicómoro
Sicômoro - também conhecida como figueira-brava
Zaqueu era pequeno de estatura e, no improviso, não pensou duas vezes: subiu numa árvore, típica da região, chamada sicômoro. Nesse momento, descobrimos algo da personalidade de Zaqueu: era um homem prático, de decisões rápidas, utilizando, de maneira inteligente, aquilo que estivesse ao seu alcance. 
Encontramos aqui outro detalhe importante: Zaqueu "subiu" na árvore para ver Jesus passar. Geralmente, não estamos dispostos a "subir" para Jesus; queremos que Ele "desça" até nós! Ao invés de nos elevarmos espiritual e moralmente para nos aproximarmos mais dEle, esperamos, comodamente, que Ele se aproxime de nossa pequenez espiritual.
Há igualmente outro detalhe que não pode deixar de ser notado. É a questão da árvore. Naquele momento ela serviu de apoio para Zaqueu. Esse fato representa o seguinte: somente com o apoio de nossas intenções mais elevadas, acompanhadas de atitudes decisivas, é que poderemos nos destacar espiritualmente, chamando a atenção da Espiritualidade Maior para nossa situação particular. O sicômoro representa o conjunto de boas ações que nos servirão de apoio para merecermos a atenção dos Benfeitores Espirituais.
* Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe: 'Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa.'
Essa passagem do Evangelho nos leva a uma reflexão mais profunda no sentido de perguntarmos a nós mesmos: o que temos para oferecer a Jesus caso Ele nos dissesse: "É preciso que eu fique hoje em tua casa." ? Antes de receber Jesus em sua residência, Zaqueu, naquele momento, recebeu o Mestre em sua "casa" interior, em seu coração. Materialmente, ofereceu um jantar ao Mestre e àqueles que O acompanhavam. Mas, espiritualmente, fez muito mais. Ofereceu sua pronta e completa renovação espiritual, não por palavras, mas por ações práticas, imediatas, beneficiando, a um só tempo, a todos aqueles que o serviam e a quem tivesse prejudicado.
* Vendo isto, todos murmuravam e diziam: 'Ele vai hospedar-se em casa de um pecador...'.
Notamos aqui a indignação dos que acompanhavam Jesus, incluindo os próprios discípulos. Essa atitude é muito típica do ser humano. Quando as bençãos divinas se dirigem a alguém que nos seja inferior, seja material ou espiritualmente, seja intelectual ou socialmente, aceitamos o fato "numa boa"; até nos sensibilizamos, considerando como é grande a misericórdia divina. Mas, se essas bençãos são estendidas àqueles que, de alguma forma, são superiores a nós, aí descambamos para o despeito e a inveja... Zaqueu simboliza todos aqueles que, embora não tenham necessidades de ordem material, sofrem moral e/ou espiritualmente, talvez dores mais atrozes do que a penúria material. Mas, nós julgamos sem piedade esses casos; foi o que fizeram aqueles que acompanhavam Jesus naquele momento...
* Zaqueu, entretanto, de pé, diante do Senhor disse-lhe: 'Senhor, doravante dou a metade dos meus bens aos pobres, ...
Zaqueu nada pediu a Jesus, nem para si, nem para seus familiares ou amigos; ao contrário, ofereceu de si, o máximo ao seu alcance. Vejamos que ele estava "de pé". Essa postura demonstra sua prontidão, material e espiritual, para realizar o que prometera ao Mestre; interiormente, não tinha dúvidas, tamanha a alegria que sentia naquele momento de renovação em sua vida e por ter certeza de que Jesus sabia que suas intenções eram sinceras. Sentia-se compreendido e isso o deixava imensamente feliz!
O interessante é que Zaqueu não falou em repartir dinheiro mas sim "metade dos meus bens". Curioso não é mesmo? Esses "bens" que ele possuía englobavam não somente a parte material, propriamente dita, mas toda a sua influência e experiência acumulada ao longo de sua vida como homem público. Somente o dinheiro não basta para quem deseja efetivamente auxiliar quem necessita... Zaqueu era muito inteligente!
* ... e, se tiver defraudado alguém, restituirei o quadruplo.' 
Mais uma vez, Zaqueu demonstra humildade, colocando em prática um dos ensinamentos de Jesus: reconciliar-se com os adversários, enquanto se está a caminho com eles. Além disso,   é ele que toma a iniciativa de ir em busca daqueles a quem havia lesado financeiramente, sanando o prejuízo com uma quantia quatro vezes maior do que era devido! 
* 'Hoje entrou a salvação nesta casa; porquanto também este é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio procurar e salvar o que estava perdido.'"
Complementando a alegria de Zaqueu, Jesus estende suas bençãos a todos daquela casa. Esse fato nos ensina que, num grupo familiar, basta que um sirva de exemplo, para que todos sejam beneficiados pela vivência do Evangelho. Jesus finaliza dizendo que todos necessitamos da providência divina, sem distinção alguma.
---
Zaqueu mereceu. E nós? Ao longo de nossa vida, o que temos feito para nossa elevação espiritual? O que temos produzido para alcançarmos a atenção da Espiritualidade Superior, a qual representa Jesus junto a nós? Será que já estamos prontos para nos tornarmos merecedores de Sua sublime visita à nossa "casa" interior? Pensemos nisso...


(Tema apresentado na reunião pública do dia 11 de julho de 2011)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

8 de julho de 2011: setenta anos do livro "Paulo e Estevão"

Há setenta anos, em 8 de julho de 1941, Chico Xavier, na época com 31 anos, começava a psicografar uma de suas mais extraordinárias obras: “Paulo e Estevão”, da sábia autoria do Espírito Emmanuel, um verdadeiro best seller da literatura espírita. Pelas situações incomuns em que se deu a psicografia desse livro e pelo seu valioso conteúdo, ele se tornou um dos favoritos de Chico Xavier.
A psicografia levou oito meses para ser concluída.
Após o expediente na Fazenda Modelo, onde trabalhava, ele ficava no porão da casa do patrão, o Sr. Rômulo Joviano, todas as noites, das 17:15 hs até 1 hora da manhã. Nesses momentos, desfilavam-se, diante de seus olhos, cenas de dois mil anos atrás, sequências das vidas dos apóstolos de Jesus, imagens da Roma antiga.
A esposa do Sr. Rômulo mandava uma empregada lhe servir um lanche e escalava um funcionário para deixá-lo em casa de charrete, com uma condição: ele deveria estar de volta, pontualmente às 7:30 horas, para o trabalho no escritório da Fazenda, onde exercia a função de escriturário.
Essa obra foi trabalhosa. Chico preenchia as páginas em branco com textos assinados por seu protetor espiritual Emmanuel, passava a limpo os originais, datilografava tudo na máquina emprestada pelo patrão e apagava o que tinha escrito a lápis para reaproveitar o papel. O salário continuava curto.
Enquanto psicografava, Chico teve um companheiro constante: um sapo enorme. No início ficou desconfiado mas acabou se acostumando com o espectador. Todas as tardes, o sapo o esperava na entrada do porão, acompanhava-o até a mesa e ficava quieto num canto. Quando Chico ia embora, ele saía junto e sumia no mato. No dia seguinte, lá estava ele de volta.
Naqueles meses, Chico tinha constantes crises de choro. Não eram apenas as imagens dos sofrimentos dos apóstolos e as cenas assustadoras dos martírios que o impressionavam. Espíritos inferiores o visitavam com frequência, tentando amedrontá-lo e fazê-lo desistir da obra.
Quando a tarefa ficou concluída, viu um Espírito desmontar uma espécie de painel que transformava aquele porão numa cabine isolada do resto do mundo. Sentindo saudades dos personagens daquela História, das viagens no tempo e gratidão a seu protetor Emmanuel, precisava agradecer. Correu os olhos pelo porão e deparou com o sapo. Tudo resolvido. Encarou o animal e garantiu:
- “Irmão sapo, a graça divina há também de brilhar para você.”
Daquele dia em diante, o sapo sumiu.
A antiga casa da Fazenda Modelo em Pedro Leopoldo, MG, restaurada em comemoração do centenário de nascimento de Chico Xavier, em 2010. Na parte de baixo, vê-se o porão onde ele psicografava.
(Foto: www.panoramio.com)
Mas, quem foi Paulo? E quem foi Estevão? Eis o que descreve a Federação Espírita Brasileira, em sua resenha sobre esse livro:
"Quem era Paulo de Tarso? Um fariseu fanático, obstinado perseguidor de cristãos e da nascente doutrina cristã? Ou um ser predestinado por determinação divina, que recebeu a dádiva da aparição de Jesus, em gloriosa visão às portas da cidade de Damasco, convertendo-se ao Cristianismo? A leitura deste livro nos mostrará a grandeza de Paulo de Tarso. Corajoso, intrépido e sincero que, arrependido de uma postura radical que culminou no apedrejamento de Estêvão – o primeiro mártir do Cristianismo –, humildemente empreendeu acelerada revisão de conceitos e atendeu ao chamado de Jesus. Entre perseguições, enfermidades, zombarias, desilusões, deserções de companheiros, pedradas, açoites e encarceramentos, transformou sua vida num exemplo de trabalho através de dezenas de anos de luta, empenhado em abrir igrejas cristãs e dar-lhes assistência. Em algum ponto da vida todos recebemos um chamado do Cristo. Que temos feito? PAULO E ESTÊVÃO fará você compreender como o amor apaga a multidão de faltas cometidas."


(Extraído do livro " As vidas de Chico Xavier"  -  autoria de Marcel Souto Maior)