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Agradecemos a todos os que nos dão a alegria de sua visita, ajudando-nos na divulgação da esclarecedora e consoladora mensagem espírita. Rogamos a Deus que a todos ilumine e proteja, com nossos votos de paz e saúde, amor e harmonia, onde quer que estejam...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Evangelho de Jesus: regime de urgência em nossa vida!

Na atualidade, algumas ações são consideradas como imprescindíveis em nossa vida material: um bom emprego, um bom salário, uma boa faculdade, a prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada, horas de lazer e descanso balanceadas... 
Enganam-se aqueles que pensam que, pelo fato de o Espiritismo ser uma doutrina séria, não seja permitido fazer uso das facilidades da vida material ou aproveitar os momentos de alegria que a Bondade Divina nos concede aqui na Terra. O problema não está no uso mas sim no abuso. Também se enganam aqueles que pensam que, para merecer a constante proteção espiritual, seja necessário passar o dia todo em oração, tomar passes de segunda a segunda no Centro Espírita, isolar-se do convívio social, etc... 
Os Benfeitores Espirituais nos esclarecem justamente o contrário! Devemos nos sujeitar às obrigações de ordem material e também saber aproveitar os recursos que ela nos oferece, com uma única ressalva: que, antes de iniciar uma tarefa, elevemos nosso pensamento a Deus, rogando a Sua proteção e, ao terminá-la, não esquecermos de agradecer pela assistência espiritual recebida! Que todos os nossos atos sejam subordinados à caridade e que o nosso maior patrimônio é a consciência tranquila e o bem praticado!
No entanto, todos eles nos advertem de que o Evangelho de Jesus tem regime de urgência em nossa vida; que Seus ensinamentos se dirigem, sobretudo, ao nosso coração, propondo uma reforma de sentimentos, pensamentos e ações. A benfeitora espiritual Amélia Rodrigues (Bahia, 1861-1926), educadora e poetisa, pela psicografia de Divaldo Pereira Franco, no livro "Pelos caminhos de Jesus", afirma: "Necessário parar na desabalada corrida da 'falta de tempo', para revisar, reconsiderar, repensar Jesus. Volver aos seus caminhos e percorrê-los, com reflexão e ternura, é tarefa inadiável."
Considerando-se que somente uma parte da humanidade terrestre afirma ser cristã; que entre os que se dizem cristãos, somente uma parte se dedica à leitura do Evangelho; que entre os que lêem, somente uma minoria entende; e, entre os que entendem, somente um número reduzidíssimo consegue colocar em prática seus ensinamentos, podemos dimensionar quanto é imenso o trabalho de evangelização, como é extensa a seara do Senhor e quão poucos os trabalhadores.... 
O Espírito São Vicente de Paulo (França, 1581-1660), considerado em vida como o pai dos pobres e dos órfãos, foi colaborador espiritual na elaboração do Espiritismo. Em mensagem contida no capítulo XIII, item 12, de “O Evangelho segundo o Espiritismo”, afirma: “Eu desejaria que se votasse mais interesse, mais fé às leituras evangélicas; mas abandona-se esse livro, considerado como texto quimérico, mensagem cifrada; deixa-se no esquecimento esse código admirável. Vossos males provêm do abandono voluntário desse resumo das leis divinas. Lede, pois, essas páginas ardentes sobre a abnegação de Jesus, e meditai-as.”
Em cada passagem, em cada episódio envolvendo a vida de Jesus entre nós, descobrimos, nas entrelinhas, o convite à renovação de pensamentos, emoções, atitudes e desejos. Por outro lado, o Evangelho é fonte de inefáveis consolações. Encontramos, em seu estudo aprofundado, a admirável personalidade de Jesus, seu imenso amor por nós, sua incansável dedicação ao ensino da caridade acompanhado da exemplificação constante. E descobrimos, aos poucos, que não estamos sozinhos; que Jesus não é um mestre ausente...
Mas, quando nos predispomos a estudá-lo, não demora muito para sermos surpreendidos pelo desânimo causado pela falta de coragem por constatarmos como é extensa nossa lista de imperfeições. Isso porque o Evangelho nos mostra o quanto ainda temos para corrigir em nós mesmos, quando, geralmente, estamos mais preocupados em corrigir os outros..
Nosso mundo íntimo se assemelha a um quarto escuro, onde vários objetos se mantêm em desordem, quebrados, empoeirados... Como se encontram na mais absoluta escuridão não há consciência do quanto uma arrumação se faz necessária. Porém, basta um pequeno feixe de luz para que se constate quanto trabalho será necessário para colocar tudo em ordem...
Francisco Cândido Xavier (1910-2002), de forma simples e meiga, assim se referia a esse fato: "A luz vai nos iluminando e vamos nos conhecendo por dentro, à maneira de uma casa abandonada há séculos... Entramos, então, nesse estado de inquietação, de amargura que não devemos conservar... Precisamos manter a alegria de termos  recebido aquela Luz e devemos perseverar - ainda mesmo que as imperfeições se avolumem dentro de nós - como quem está reconstruindo a si mesmo."
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O vídeo abaixo foi exibido em nosso primeiro encontro para os estudos de "O Evangelho segundo o Espiritismo", aos domingos, das 16:30 às 18 hs.

(Tema abordado na reunião pública do dia 13 de junho de 2011)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Fortalecendo os laços de família com o Culto do Evangelho no Lar

Allan Kardec, no capítulo 4 item 18 de "O Evangelho segundo o Espiritismo" nos esclarece: "Os laços de família não são destruídos pela reencarnação como pensam certas pessoas. Pelo contrário, são fortalecidos e reapertados. O princípio oposto é que os destrói." Por "princípio oposto" deve-se entender a criação da alma no instante do nascimento, o que equivale a dizer que aqueles que constituem uma família seriam totalmente desconhecidos uns dos outros.
Na sequência do item 18: "Os Espíritos formam, no espaço, grupos ou famílias, unidos pela afeição, pela simpatia e a semelhança de inclinações. Esses Espíritos, felizes de estarem juntos, procuram-se. A encarnação só os separa momentaneamente, pois que, uma vez retornando à erraticidade, eles se reencontram, como amigos na volta de uma viagem. Muitas vezes eles seguem juntos na encarnação, reunindo-se numa mesma família ou num mesmo círculo, e trabalham juntos para o seu progresso comum. Se uns estão encarnados e outros não, continuarão unidos pelo pensamento." Notemos que Kardec destaca a base para essa união: a afeição, a simpatia e a semelhança de inclinações. Essa base é que garante a verdadeira afeição espiritual, a única que sobrevive após a morte do corpo.
Kardec também explica o motivo pelo qual algumas pessoas, por suas características de personalidade, parecem não pertencer ao núcleo familiar. Diz ele: "A união e a afeição entre parentes indicam a simpatia anterior que as aproximou. Por isso, diz-se de uma pessoa cujo caráter, cujos gostos e inclinações nada têm de comum com os dos parentes, que ela não pertence à família. Dizendo isso, enuncia-se uma verdade maior do que se pensa. Deus permite essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos nas famílias, com a dupla finalidade de servirem de provas para uns e de meio de progresso para outros. Os maus se melhoram pouco a pouco, ao contato dos bons e pelas atenções que deles recebem, seu caráter se abranda, seus costumes se depuram, as antipatias desaparecem."
Encontramos, nesses esclarecimentos, a certeza do quanto é grande a misericórdia divina, permitindo, a cada existência, que os Espíritos afins se procurem, fortalecendo os laços de amor que já os unia antes da reencarnação. Isso não quer dizer que nossos pais, filhos, cônjuges serão sempre os mesmos. Significa que, se houver afeição sincera entre todos, onde quer que estejamos, seremos atraídos sempre pelos sentimentos nobres que nos unem.
Sendo assim, os Benfeitores Espirituais ainda nos esclarecem que o lar é a primeira escola do Espírito reencarnante. E é no ambiente familiar que ele deve receber as primeiras lições de disciplina e respeito. Como aprenderemos a conviver com toda a humanidade - que é nossa família universal - se não conseguimos ainda conviver harmoniosamente dentro de quatro paredes com os nossos próprios familiares?
É pela importância da família no progresso espiritual da humanidade que os Benfeitores Espirituais nos recomendam o Culto do Evangelho no Lar. Temos tanta preocupação com a manutenção da limpeza de nossa casa, com a escolha e preparação dos alimentos, com a segurança de nossos entes queridos e, no entanto, deixamos de lado a questão da segurança espiritual, tão ou até mais necessária que as demais preocupações. O Culto do Evangelho no Lar é muito simples. Veja uma sugestão de como realizá-lo:

1- Escolher um dia e uma hora da semana em que seja possível a presença de todos os membros da família ou da maior parte deles. Iniciar a reunião com uma prece simples e espontânea, ditada pelo coração.
2- Fazer a leitura de um breve trecho de O Evangelho Segundo o Espiritismo. Poderão também ser utilizados outros livros.
3- Após a leitura, fazer comentários breves sobre o trecho lido, trocando opiniões com o grupo quanto à aplicação dos ensinamentos na vida diária, evitando-se discussões, críticas e julgamentos de membros do grupo ou de conhecidos em função da mensagem evangélica, para que se mantenha o equilíbrio vibratório da reunião.
4- A seguir, rogar a Jesus em favor do lar onde está sendo feito o Culto do Evangelho, para as pessoas presentes, por seus familiares e amigos e pedir pela fluidificação da água, que será distribuída após o encerramento.
5- Encerrar com uma prece de agradecimento a Deus
A duração deve ser de até 30 minutos, no máximo, incluindo a prece de encerramento. Se houver crianças participando, incluir alguma leitura, especialmente voltada para o evangelização infantil. Mas, atenção para alguns detalhes importantes:
1. Uma vez escolhidos, o dia da semana e o horário de realização do Evangelho no Lar devem ser respeitados. Assiduidade e pontualidade são importantes na obtenção de boa sintonia com os protetores do nosso lar. Por isso, caso seja necessário qualquer alteração avisar na reunião anterior sobre as mudanças.
2. Não transferir ou suspender a reunião em virtude de visita inesperada, hóspedes (podendo-se convidá-los a participar da reunião), compromissos de última hora, etc. Caso seja inadiável a ausência da família, antes de sair pode-se fazer uma prece e ler um breve trecho do Evangelho, rogando a assistência espiritual necessária para o compromisso inadiável..
3. Mesmo que o Evangelho seja realizado em torno de uma mesa, não haverá necessidade de forrá-la com toalha ou colocar flores, imagens, retratos ou qualquer outro objeto.
4. Não transforme o culto do lar em reunião mediúnica. Lembramos aqui a insistente recomendação do Plano Espiritual, pois os lares não estão preparados para esse tipo de trabalho, que requerem condições vibratórias especiais, só encontrados em centros espíritas.
5. Não se deve transformar o momento do Culto do Evangelho em ocasião para dizer "algumas verdades" aos nossos familiares, aproveitando as orientações do texto lido, com indiretas ou apontando erros de condutas dos outros. Lembremo-nos que os ensinamentos de Jesus se dirigem a todos, indistintamente.
6. Caso nenhum dos familiares queira participar, façamos o Culto do Evangelho sozinhos, pois sabemos que os nossos bondosos amigos espirituais sempre nos acompanharão.


(Tema abordado na reunião pública do dia 30 de maio de 2011)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A necessidade da reencarnação: um recurso consolador

Há várias passagens na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento, nas quais o conceito das múltiplas existências fica evidente. No entanto, é no encontro de Nicodemos com Jesus, narrado somente no Evangelho segundo João (capítulo 3, versículos 1-12) que a necessidade da reencarnação é enfatizada de forma categórica, não apenas sua necessidade mas também a forma como ela se processa. Por não aceitarem a reencarnação, estudiosos e tradutores de outras religiões fazem verdadeiras peripécias, um jogo de palavras, para confundir o verdadeiro sentido dessa passagem do Evangelho.
Nicodemos era fariseu, portanto, aceitava o conceito das vidas sucessivas. Homem rico, culto, inteligente, príncipe (chefe) do Sinédrio (assembléia de juízes judeus que constituía a corte e legislativo supremos da antiga Israel), na época do seu encontro com Jesus tinha 70 anos de idade.  A chegada da velhice o fazia pensar no que havia feito de sua vida. Sendo profundo conhecedor das Escrituras Sagradas, sabia, pelos ensinamentos dos profetas, que cada um seria julgado por suas obras. Ele, no entanto, apesar do grande conhecimento que possuía, embora nunca tivesse feito mal a alguém, igualmente nunca havia se preocupado em espalhar o bem além das fronteiras de seus relacionamentos pessoais. Era um homem bom mas sua bondade e dedicação haviam se limitado aos familiares e amigos.
Essa crise de consciência o perturbava e por isso resolveu procurar por Jesus. Vejamos a situação contraditória: um homem idoso, rico, culto e influente, tanto política como religiosamente, buscando apoio espiritual com um jovem que tinha menos da metade da idade dele, pobre, que não havia frequentado escolas e sem nenhum destaque no meio político e religioso da época. O normal seria o contrário, não é mesmo? Pelo inusitado dessa situação é que podemos fazer uma idéia do quanto Nicodemos andava aflito.
Ao saber que Jesus estava em casa de amigos, nos arredores de Jerusalém, resolve ir até Ele. Esperou que anoitecesse para não correr o risco de ser reconhecido por alguém. Essa atitude de Nicodemos nos mostra que muitos procuram se acercar de Jesus sem no entanto se comprometerem com seus ensinamentos.
Chegando à casa, bateu à porta e foi atendido pelo apóstolo João, o qual o conduziu até o aposento onde Jesus se encontrava. Foi recebido carinhosamente pelo Mestre. A serenidade de Jesus o encorajou a iniciar a conversa: "Rabi, sabemos que és mestre, vindo da parte de Deus, porque ninguém pode fazer estes milagres que tu fazes se Deus não estiver com ele." Ao que Jesus respondeu: "Na verdade, na verdade te digo que não pode ver o Reino de Deus, senão aquele que renascer de novo."
Essa resposta pareceu desconexa naquele momento, no entanto, bem mostra que Jesus sabia perfeitamente o que se passava no mundo íntimo do velho Nicodemos, o qual, apesar de aceitar o conceito das vidas sucessivas, ficou surpreso com o que ouviu, sem conseguir entender o que Jesus queria lhe dizer.  Por isso é que fez uma pergunta até certo ponto ingênua, como se desconhecesse totalmente o assunto: "Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura pode entrar no ventre de sua mãe e nascer outra vez?".
E Jesus continua, tentando esclarecer melhor o assunto: "Em verdade te digo que quem não nascer da água e do espírito, não pode entrar no Reino de Deus. O que é nascido de carne é carne, e o que é nascido do Espírito é Espírito. Não te maravilhes de eu te dizer que importa-vos nascer de novo."
Com essas palavras Jesus se aprofunda nos mecanismos em que se dá a reencarnação: renasceremos através da matéria (simbolizada pela água, que para os judeus simboliza o origem da vida física) e do Espírito, ou seja, com a bagagem espiritual trazida de outras existências; é o mesmo Espírito, a mesma individualidade, porém em outro corpo físico. Jesus ainda chama sua atenção para que não se surpreendesse diante dessas verdades pois não somente ele mas todos necessitam da reencarnação. Jesus tentava fazer com que Nicodemos, recordando o conceito das vidas, que ele conhecia, asserenasse seus pensamentos e apreensões pois o que não tivesse conseguido realizar naquela existência certamente poderia fazer em outras; que todas as suas conquistas espirituais e intelectuais não estariam perdidas.
Jesus termina o diálogo dizendo: "Tu és mestre em Israel e não sabes estas coisas?" E, dirigindo-se, em seguida, para toda a humanidade (notemos que Ele mudou o tratamento de 'tu' para 'vós') encerra dizendo: "Se quando eu vou tenho falado das coisas terrenas, ainda assim não me credes, como creríeis se eu vos falasse das celestiais?" 
O Espiritismo nos ensina que a reencarnação é uma necessidade para o nosso aperfeiçoamento espiritual e que deve ser encarada como um recurso consolador  e não como um castigo. Foi isso que Nicodemos, apesar de todo o conhecimento intelectual que possuía, não conseguiu compreender naquele momento. A certeza de outras oportunidades de existências no campo físico é um recurso misericordioso de Deus para com toda a humanidade, o que nos enche de esperanças no futuro, onde alcançaremos nossa felicidade integral.


(Tema apresentado na reunião pública do dia 23 de maio de 2011)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A reencarnação perdeu por 3 a 2

Um dos pontos em que se debatem várias religiões, contra o Espiritismo, é o que diz respeito às múltiplas existências (reencarnação). Dizem que a reencarnação não aparece na Bíblia. Julgam esses entendidos que a reencarnação é incompatível com os ensinamentos de Jesus. Realmente a palavra reencarnação não aparece nos textos bíblicos mas o conceito sim. Há muitas passagens, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que se tornam incompreensíveis, se não se considerar a alma em suas vidas sucessivas.
Outros dizem que foi o Espiritismo que inventou a reencarnação. Quanta falta de conhecimento têm esses que criticam! Não foi a Doutrina Espírita que inventou esse conceito que, aliás, é uma lei natural. Entre os povos orientais, os hindus e mesmo entre os judeus, o conceito de múltiplas existências era aceito, muito embora cada qual o interpretasse segundo sua capacidade de compreensão das leis divinas.
Allan Kardec, em "O Livro dos Espíritos" não deixou de interrogar os Espíritos Superiores sobre esse tema, dedicando dois capítulos (capítulos 4 e 5 da Segunda Parte) para tratar de questões relacionadas à reencarnação. Destacaremos as perguntas de número 166 e 167:
166. A alma que não atingiu a perfeição durante a vida corpórea, como acaba de depurar-se?
 - Submetendo-se à prova de uma nova existência.
166-a. Como realiza ela essa nova existência? Pela sua transformação como Espírito?
 - Ao se depurar, a alma sofre sem dúvida uma transformação, mas para isso necessita de provas da vida corpórea.
166-b. A alma tem muitas existências corpóreas?
- Sim, todos nós temos muitas existências. Os que dizem o contrário querem manter-vos na ignorância em que eles mesmos se encontram; esse é o seu desejo.
166-c. Parece resultar, desse princípio, que após ter deixado o corpo a alma toma outro. Dito de outra maneira, que ela se reencarna em novo corpo. É assim que se deve entender?
- É evidente.
167. Qual é a finalidade da reencarnação?
- Expiação, melhoramento progressivo da humanidade. Sem isso onde estaria a justiça?
Embora Allan Kardec tenha estudado com profundidade esse tema, infelizmente encontramos, no próprio meio espírita, aqueles que lêem meia dúzia de romances e se consideram "experts"  no assunto, tentando relacionar o sofrimento das pessoas com suas causas em vidas passadas. Tais "entendidos" causam mais danos do que benefícios para o Espiritismo.
Para compreender o motivo pelo qual o conceito de reencarnação é rejeitado por essas religiões, é preciso recorrer à informações históricas dos primeiros séculos do Cristianismo. Os ensinamentos de Jesus não ficaram restritos à Judéia; espalharam-se para várias localidades da Ásia, África e Europa, tendo, em cada localidade, alguém que se destacava por suas virtudes e sabedoria, passando a ser considerado como patriarca das igrejas nascentes. Até o século V e VI, admita-se com naturalidade o conceito das vidas sucessivas. Não se deve esquecer que nos primeiros séculos do cristianismo, surgiram muitos pensadores, filósofos e teólogos que aceitavam e pregavam o conceito das vidas sucessivas; entre eles, destacaram-se Orígenes, Santo Agostinho, Francisco de Assis, São Jerônimo.
No entanto, esse conceito batia de frente com o orgulho de muitos, tanto no meio político e econômico quanto no meio social e até mesmo entre os representantes do cristianismo. Era muito humilhante para aquelas pessoas (e para muitas ainda na atualidade) aceitarem que poderiam retornar à vida física numa condição de inferioridade.
Foi com essa linha de  pensamento que o Imperador Justiniano (483-565) convocou um concílio na cidade de Constantinopla (atual Istambul, Turquia) para estabelecer, entre outras resoluções, o banimento do conceito de vidas sucessivas dos ensinamentos cristãos. Quem continuasse pregando os ensinamentos dos que defendiam a tese reencarnacionista seria considerado herege. Esse concílio aconteceu em 553 onde, por votação, o conceito de vidas sucessivas foi rejeitado pela Igreja Católica, perdendo por três votos a favor do banimento e dois contra. Diz-se que o Imperador Justiniano foi influenciado por sua esposa, a Imperatriz Theodora, a qual repudiava a ideia de renascer como escrava. 
Mas, nem tudo estava perdido. Quando São Jerônimo (347-420), um monge de grande cultura, por ordem do Papa Dâmaso (304-384), fez a tradução das antigas escrituras para o latim, ele, sendo reencarnacionista, conservou muitas passagens nas quais o conceito de vidas sucessivas permaneceu. Essa tradução recebeu o nome de Vulgata, versão oficial da Bíblia pela Igreja Católica. Como a tradução já estava concluída, a Igreja teve que "remendar" esse problema. Lançou mão então de mais um dogma: o das indulgências. Para se alcançar o perdão dos "pecados" e o reino dos céus, bastaria dizer que se arrependia do mal praticado e pagar por um lugar no Céu...
Entre os erros cometidos pela Igreja durante a Idade Média, a eliminação do conceito de múltiplas existências talvez tenha sido aquele que apresentou as mais graves consequências para o crescimento espiritual da humanidade. A reencarnação é uma lei que expressa o quanto a justiça divina é misericordiosa. Para aqueles que relutam em aceitá-la e negam sua existência, que continuem negando, porém, terão que reencarnar da mesma forma, quer acreditem ou não!
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Como esse tema é de grande profundidade e como temos muitas dificuldades para compreendê-lo nos múltiplos aspectos em que pode ser estudado, devemos recorrer àqueles que se dedicam ao estudo sério da reencarnação. Sendo assim, disponibilizamos dois vídeos apresentando os comentários da Dra. Marlene Rossi Severino, médica ginecologista e presidente da AME -Associação Médico-Espírita do Brasil sobre a reencarnação. Eles fazem parte da análise espírita do filme "Minha vida na outra vida", baseado em fatos reais.




(Tema apresentado na reunião pública do dia 16 de maio de 2011)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Até na dor somos egoístas!

Ruínas em Cafarnaum - "A cidade de Jesus"
Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas narram uma passagem na qual Jesus cura um paralítico de forma diferenciada. O fato ocorreu na cidade de Cafarnaum, localizada na Galiléia, ao norte de Israel, às margens do grande Lago de Genesaré (ou Mar da Galiléia, como é conhecido).
Cafarnaum era um vilarejo muito pobre, mas bem organizado. Passou a ser chamada de "a cidade de Jesus" pois foi nessa localidade que ele passou a viver, depois de ter saído de Nazaré, onde vivia sua família. Mas, é o evangelho de Marcos (Capítulo 2, versículos 1 a 12) que traz uma narrativa bastante pitoresca na forma pela qual esse paralítico conseguiu se aproximar de Jesus. Vamos reproduzir esse trecho, mantendo fidelidade à narrativa:
"Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum, e souberam que Ele estava em casa. Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta. E Ele os instruía. Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens. Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e por uma abertura desceram o leito em que jazia o paralítico. Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: 'Filho, perdoados te são os pecados'. Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros: 'Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?'. Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito nos seus íntimos pensamentos, disse-lhes: 'Por que pensais isto nos vossos corações? Que é mais fácil - dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, - ou dizer:  Levanta-te, toma o teu leito e anda? Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho do homem sobre a terra, (disse ao paralítico): 'Eu te ordeno, levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.' No mesmo instante, ele se levantou e tomando o leito, foi-se embora à vista de todos. A multidão inteira encheu-se de profunda admiração e puseram-se a louvar a Deus, dizendo: nunca vimos coisa semelhante."
Disponivel em www.blog.cancaonova.com
Nos tempos de Jesus, as casas tinham um padrão muito diferente do que encontramos nos dias de hoje. Os tetos  eram feitos com travessas de madeira (ou cipó) para sustentar a laje feita de terra empastada com palha. Esse tipo de teto assegurava um ambiente fresco e agradável.
Durante o dia, Jesus peregrinava por aquela região, subindo e descendo morros, debaixo de sol, poeira, chuva... À noite, costumava ficar na casa de Simão Pedro e, eram nesses momentos de intimidade familiar, que Ele ensinava, dialogava, esclarecia. Com a sua fama se espalhando pelas aldeias, esses encontros começaram a atrair muitas pessoas, que se aglomeravam ao redor da casa de Pedro, na tentativa de ver e ouvir Jesus e, talvez, obter alguma graça especial... Alguns ali se encontravam movidos apenas pela curiosidade...
Reuniu-se uma tal multidão, que não podiam encontrar lugar nem mesmo junto à porta.
Naquela noite, ao chegar na casa de Simão Pedro, o paralítico, carregado por quatro amigos, percebeu que não seria fácil entrar. Uma multidão impedia a passagem de qualquer pessoa e ninguém mostrou disposição para ceder seu lugar. Assim somos nós quando nos aproximamos da mensagem consoladora de Jesus e das bençãos que ela nos proporciona. Acreditamos que nossa dor é maior que a dos outros, que nosso problema tem mais urgência que os demais, não cedemos aos outros a mesma oportunidade; queremos Jesus somente para nós mesmos,  não dividimos com outros as bençãos recebidas... Até na dor, nosso comportamento é egoísta...
Trouxeram-lhe um paralítico, carregado por quatro homens. Como não pudessem apresentar-lho por causa da multidão, descobriram o teto por cima do lugar onde Jesus se achava e por uma abertura desceram o leito em que jazia o paralítico.
Em muitas momentos de nossa vida, ficamos paralisados pela dor, seja ela física e/ou moral. Por mais que queiramos, não conseguimos sair, sozinhos, de tal postura. Nesses momentos precisamos recorrer àqueles que são mais fortes que nós, moral e espiritualmente. Assim como o paralítico era carregado por pessoas que possivelmente eram seus amigos, também nós, desde que queiramos, também teremos aqueles que estarão dispostos a nos auxiliar, a nos aproximar das bençãos divinas. Se não contarmos com amigos no plano físico, temos nossos amigos espirituais, especialmente nosso Espírito Protetor.
Jesus, vendo-lhes a fé, disse ao paralítico: 'Filho, perdoados te são os pecados'. Ora, estavam ali sentados alguns escribas, que diziam uns aos outros: 'Como pode este homem falar assim? Ele blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?'
Quando o paralítico se aproximou de Jesus, certamente esperava, assim como todos os presentes, que fosse curado da paralisia. Ninguém esperava por aquelas palavras que Jesus lhe dirigiu. A palavra pecado tem uma conotação muito negativa. Ela é pouco empregada no meio espírita. No Espiritismo aprendemos que Deus é amor, o qual equilibra e harmoniza a vida. Cada vez que, por atos, palavras e pensamentos rompemos essa harmonia, necessitaremos de um processo de reajuste, o qual se dá através da dor e do sofrimento. Jesus conhecia a trajetória espiritual daquele homem e sabia que ele já havia sofrido o bastante para ressarcir seus erros, tivessem eles acontecido naquela mesma vida, ou em existências anteriores. Esse motivo, aliado à fé que o doente apresentava, é que possibilitou sua cura.
Mas Jesus, penetrando logo com seu espírito nos seus íntimos pensamentos, disse-lhes: 'Por que pensais isto nos vossos corações? Que é mais fácil - dizer ao paralítico: Os pecados te são perdoados, - ou dizer:  Levanta-te, toma o teu leito e anda?
Os escribas e fariseus não viam com bons olhos os ensinamentos de Jesus. Conhecendo as intenções maldosas que os moviam, Jesus responde à pergunta que fizeram com duas proposições, sendo que nenhuma delas é mais fácil que a outra. Somente um ser com a autoridade moral e espiritual como Jesus é que poderia fazer as duas coisas: liberar o paralítico de seu processo de reajuste e curá-lo.
Ora, para que conheçais o poder concedido ao Filho do homem sobre a terra, (disse ao paralítico): 'Eu te ordeno, levanta-te, toma o teu leito e vai para casa.' No mesmo instante, ele se levantou e tomando o leito, foi-se embora à vista de todos.
Após receber a cura, Jesus não ordenou ao paralítico que fosse descansar, ou passear, ou se distrair; disse que voltasse para os seus, que retomasse as tarefas que lhe cabiam, que abraçasse as responsabilidades que o aguardavam entre os seus familiares.
Certamente, ao longo de nossa jornada evolutiva, encontraremos muitos obstáculos e dificuldades para nosso encontro com Jesus. No entanto, poderemos contar sempre com o apoio de amigos espirituais, os quais não faltarão se realmente estivermos dispostos a vencer todas essas dificuldades. Essa passagem também nos ensina que, após conquistarmos a benção de nosso equilíbrio físico e espiritual, novas tarefas certamente estarão aguardando por nós!

(Tema abordado na reunião pública do dia 9 de maio de 2011)