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quarta-feira, 28 de março de 2012

"Obras póstumas" - notícia do livro


Allan Kardec desencarnou em 31 de março de 1869, com 64 anos de idade, devido ao rompimento de um aneurisma. 
Somente em 1890, vinte e um anos após sua desencarnação é que  livro “Obras Póstumas” foi publicado. A publicação ficou a cargo de Pierre-Gaetan Leymarie (1827-1901), o qual se responsabilizou pela continuidade da publicação das obras de Kardec, em Paris. 
Esse livro apresenta vários trabalhos de Kardec que nunca haviam aparecido em seus livros anteriores. Muitos desses trabalhos foram publicados em sua “Revista Espírita”, logo após sua morte. O material que se conservou inédito até 1890 corresponde à Segunda Parte do livro.
Sendo um dos livros mais desconhecidos e menos estudados sobre Kardec, sua importância é inegável e nenhuma objeção se pode fazer à legitimidade de seu conteúdo e dos trabalhos nele publicados.
José Herculano Pires (1914-1979), filósofo, jornalista, escritor e professor, sendo um dos melhores tradutores das obras de Kardec, o qual fez a revisão, introdução e notas explicativas desse livro, publicadas pela LAKE – Livraria Allan Kardec Editora (13ª edição), afirma que:
“Há ainda pessoas que levantam suspeitas infundadas quanto à validade deste livro, o que por sinal em nada o afeta, principalmente para os que se dão ao trabalho de lê-lo e analisá-lo. Só lamentamos que não se tenham publicado mais alguns volumes póstumos de trabalhos do mestre, que forçosamente os deixou em maior número, tal era a sua capacidade de trabalho e o seu desejo de abordar todos os problemas relativos ao Espiritismo. A publicação tardia de Obras Póstumas revela, infelizmente, que houve descuido nesse sentido por parte dos seus sucessores. Não se trata de uma acusação, mas apenas de um registro necessário.”
O primeiro problema detectado como contraditório, segundo alguns críticos, aparece justamente no seu início, na forma de uma pequena nota de abertura intitulada “Aos assinantes da Revista” onde se encontra a seguinte frase:
 “Até agora, a Revista Espírita tem sido especialmente criação e oba de Allan Kardec, como também as demais obras doutrinárias que ele publicou.”
Para Herculano, essa afirmação não tem fundamento:
“O desmentido vem na segunda parte do volume, quando vemos que todo o trabalho da Codificação (incluindo a Revista, como o disse o próprio Kardec) resultou de uma colaboração estreita e permanente entre ele, os médiuns que o serviam, os Espíritos que o orientavam e os grupos e centros de estudos com os quais se correspondia. Vê-se estampado nessas poucas linhas o drama de um homem que, tendo se adiantado ao seu tempo, teve de enfrentar a incompreensão e o despeito dos que desejavam fazer doutrina acima dele.”
Herculano Pires, que soube tão bem compreender o pensamento de Kardec, deixou esclarecimentos importantíssimos sobre esses fatos:
“A responsabilidade espiritual de Kardec era enorme e ele não podia partilhá-la a não ser com aqueles que traziam à Terra a missão de ajudá-lo. Muitas vezes quis servir-se de pessoas que julgava aproveitáveis, mas os Espíritos Superiores o advertiam em sentido contrário. Kardec se retraía e os seus companheiros atribuíam essa atitude às suas possíveis ambições de predomínio. O próprio Flammarion, à beira do túmulo, não o acusou de fazer obra um pessoal? Essa acusação se repete de maneira mais violenta e incisiva na nota da Revista em junho de 1869, três meses após a desencarnação do mestre, que serve de abertura para o texto geral de Obras Póstumas. Longe disso, porém, Kardec procurava colaboradores e sofria por não encontrá-los. A obra não era pessoal, mas a responsabilidade da sua atualização na Terra tornou-se quase pessoalíssima em virtude da falta de criaturas aptas a compreendê-la. E a prova maior disso está no que fizeram da Revista Espírita e da Sociedade Espírita, por ele fundadas, após a sua passagem para a vida espiritual.”
As anotações íntimas de Kardec, publicadas nesse livro, nos dão uma idéia da grandeza de sua missão:
“Este livro apresenta o testamento doutrinário de Allan Kardec. Reúne os seus derradeiros escritos e as anotações íntimas, destinadas a servir mais tarde para a elaboração da História do Espiritismo que ele não pode realizar. Vemos aqui a sua plena confirmação dos ensinos dados nas obras anteriores e a justificação de muitas de suas atitudes mal compreendidas pelos contemporâneos. Esta obra precisa ser lida com atenção e respeito. Ela nos desvenda os segredos de uma vida missionária. Quanto à grandeza dessa missão basta vermos o que os próprios Espíritos Superiores dizem em suas comunicações aqui reproduzidas. Na mensagem intitulada ‘Minha missão’ de 12 de abril de 1860, vemos que os Espíritos Sábios ficarão felizes de poder assisti-lo, e mais: quantos entre eles desejariam cumprir a sombra dessa missão!”
No final do livro encontra-se um dos últimos trabalhos de Kardec: a Constituição do Espiritismo “com o qual ele pretendia orientar os que ficavam, de maneira a poderem manter ao mesmo tempo o serviço de divulgação e o desenvolvimento da Doutrina, sem prejuízo de seus postulados de liberdade e responsabilidade. Ressalta desse esboço o espírito liberal de Kardec, a sua profunda convicção de que o homem é um ser livre, de cuja liberdade depende o seu desenvolvimento espiritual como personalidade responsável.”

(Publicado em nosso folheto mensal - "O Girassol"  -  edição de março de 2012)

quarta-feira, 14 de março de 2012

A presença da mulher nos Evangelhos

Livro: Vereda familiar - Médium: J. Raul Teixeira


São poucas as referências à presença da mulher nos tempos de Jesus. Algumas sequer têm o próprio nome citado. Compreende-se essa situação quando se considera que a sociedade de então era extremamente machista, destacando-se somente os feitos masculinos, sendo a mulher relegada a um plano inferior.
As poucas passagens onde a mulher aparece permitem que sejam identificadas pela situação em que se deu seu encontro com Jesus:
- Maria, mãe de Jesus:  Maria não era seu nome; em hebraico, Maria significa senhora.
- Maria, mãe de Tiago Menor.
- Salomé: mãe de João e Tiago Maior, primos de Jesus.
- Joana: esposa de Cuza, procurador de Herodes. Terminou seus dias em grande miséria, morrendo na fogueira por ser cristã, juntamente com seu filho, em Roma.
- Marta e Maria: irmãs de Lázaro. Jesus se hospedou várias vezes na casa desses irmãos, em Betânia, próximo a Jerusalém.
- Maria Madalena: considerada erroneamente como prostituta, foi discípula de Jesus. Terminou seus dias auxiliando os leprosos.
E as anônimas:
- A mulher samaritana: é abordada por Jesus, no poço de Jacó, na Samaria.
- A viúva de Naim: Jesus devolve a vida ao seu filho, considerado morto.
- A adúltera: Jesus foi o único que não a condenou, dizendo aos que a acusavam para que atirassem a primeira pedra quem estivesse sem pecado.
- A hemorroísa: Jesus a curou de hemorragia que a afligia por doze anos.
- A pecadora: lavou os pés de Jesus com perfume e enxugou com os próprios cabelos.
- A mulher de Tiro-Sidon: rogou a Jesus as migalhas de seus ensinamentos.
- A filha de Jairo: Jesus a atendeu dizendo aos pais que ela não estava morta, mas desnutrida, recomendando que dessem alimento a ela.
- A sogra de Pedro: foi curada por Jesus de um forte estado febril.
Certamente não foram somente essas que Jesus socorreu. Mulheres desorientadas, mães aflitas, viúvas desamparadas, meninas órfãs, devem ter procurado refúgio, consolo e orientação de Jesus; muitas passaram a seguir seus ensinamentos sem abandonarem os próprios compromissos familiares, sofrendo em silêncio a incompreensão alheia.
Os Evangelhos afirmam que muitas mulheres seguiam Jesus em suas andanças pela Galiléia e auxiliavam com seus recursos a comprar mantimentos para auxílio aos necessitados.
Por compreender profundamente a psicologia feminina, os sofrimentos e humilhações a que estavam sujeitas na época, a ânsia por uma vida mais espiritualizada, Jesus as encantava. Por isso, pais e maridos consideravam que Jesus as havia enfeitiçado e derramavam sua indignação e seu ódio contra Ele. Essas mulheres amavam Jesus por ser Ele o único que compreendia a alma feminina e as orientava com amor e sabedoria. Tudo sofreram e suportaram para poder segui-Lo até o fim de seus dias.
Os homens daqueles tempos consideravam aquelas mulheres como perturbadas ou loucas. Os Evangelhos dizem que Jesus expulsou espíritos malignos de muitas delas.
Hoje, com os ensinamentos espíritas, compreende-se que eram possuidoras de mediunidade. Jesus as auxiliou, libertando-as dos Espíritos inferiores que as assediavam e oferecendo, ao mesmo tempo, o caminho libertador pela prática constante do amor ao próximo e da confiança em Deus. Grande era o alívio que sentiam, entusiasmando-se para seguir os ensinamentos do Mestre Amado.
Ao longo dos séculos vindouros, talvez essas mesmas mulheres tenham renascido com a tarefa de continuarem colaborando na extensão do Cristianismo, sofrendo mais rudes provas e humilhações, ao ponto de a própria Igreja questionar se a mulher tinha alma!
Encontramos hoje, nas casas espíritas, um número muito maior de mulheres atuando mediunicamente do que de homens. Espírito dotado de maior sensibilidade, mais facilmente pode atuar como intermediária entre o mundo material e o mundo espiritual. Dotada de grande intuição, pela própria tarefa da maternidade que lhe foi confiada, dedica-se hoje, com mais liberdade, à propagação do Evangelho, podendo proclamar sem medo de represálias, seu imenso amor a Jesus.
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Os vídeos abaixo mostram a entrevista do Prof. Severino Celestino, espírita e estudioso do  Evangelho, abordando o tema "Jesus e as mulheres", no programa "Transição":
* Primeira parte
* Segunda parte:
(Tema abordado na reunião pública do dia 12 de março de 2012)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O que me falta ainda?


Livro: Quem é o Cristo? - Médium: J. Raul Teixeira

Há uma passagem nos Evangelhos conhecida como a estória do jovem rico, citada em Mateus, Marcos e Lucas. Vamos destacar o relato de Mateus (vers. 18-22). Vejamos o diálogo que se estabelece entre ele e Jesus.
Um jovem aproximou-se de Jesus e lhe perguntou: Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom. Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais? Perguntou ele. Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo. Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda? Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste porque possuía muitos bens.
Passando por esse trecho, sem nos atermos aos detalhes desse diálogo, podemos pensar que aquele jovem estava sinceramente interessado em ser bom. No entanto, analisando atentamente suas perguntas e as respostas de Jesus, encontramos algo muito diferente do que inicialmente supúnhamos. Analisemos cada trecho.
Mestre, que devo fazer de bom para ter a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Por que me perguntas a respeito do que se deve fazer de bom? Só Deus é bom.
Parece estranho que Jesus tenha dado essa resposta à pergunta do jovem, mesmo porque, inicialmente, supomos que ele esteja realmente imbuído de boas intenções ao se aproximar do Mestre. Notemos que o jovem disse “fazer de bom” e não “ser bom”. Jesus corrige seu pensamento afirmando que somente Deus é bom; que, por enquanto, por mais nos esforcemos, ainda nos encontramos longe da verdadeira bondade de coração. Além disso, para fazer algo de bom não implica em ser necessariamente bondoso ou generoso.
Se queres entrar na vida, observa os mandamentos. Quais? Perguntou ele.
Jesus, que conhecia bem as verdadeiras intenções daquele jovem, conduziu o diálogo de forma que o fundo do seu coração viesse à tona. Convidou o rapaz a cumprir os mandamentos das leis de Deus, descritas na Tora. Mas o jovem, sabendo que são muitos os mandamentos de Moisés e dos Profetas, quer saber quais ele deveria seguir.
Jesus respondeu: Não matarás, não cometerás adultério, não furtarás, não dirás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe, amarás teu próximo como a ti mesmo.
Jesus não citaria esses mandamentos se não houvesse uma necessidade. Por que esses e não outro qualquer? Possivelmente porque esses, em particular, tivessem alguma relação com o tipo de vida ou com as atividades que o jovem rico exercia. A riqueza, nos tempos de Jesus, era obtida principalmente devido às atividades do comércio de mercadorias produzidas na região ou importadas de outras. O trabalho no comércio exige e proporciona o desenvolvimento da fraternidade. Talvez por isso Jesus tenha citado as regras do bom procedimento para essa área de atividades.
Disse-lhe o jovem: Tenho observado tudo isto desde a minha infância. Que me falta ainda?
Ao responder o que desde a infância o jovem seguia esses mandamentos não significa que ele, efetivamente, os cumprisse. Assim como ele, conhecemos as leis de Deus, mas nem sempre as colocamos em prática. Além disso, o jovem quis mostrar igualmente a boa educação que havia recebido. Mas, é justamente a pergunta que faz a Jesus que levanta toda a questão dessa passagem do Evangelho: “o que me falta ainda?” Aqui temos duas possibilidades: esse jovem, apesar de ser muito rico, sentia que algo lhe faltava na vida, mas não sabia definir o que seria; mesmo observando os mandamentos da Lei, não encontrava sentido para sua existência. A outra possibilidade está relacionada com a maneira pela qual ele se aproximou de Jesus: com a soberba de quem já se considerava quite com as leis de Deus mas queria apenas uma aprovação, aumentando assim o seu orgulho e sua vaidade pessoal.
Respondeu Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois, vem e segue-me! Ouvindo estas palavras, o jovem foi embora muito triste porque possuía muitos bens.
Quando tentamos nos aproximar de Jesus, trazendo conosco nossa bagagem de vaidosas ilusões, descobrimos que Sua mensagem é um convite incessante à prática do amor, da caridade e da humildade, combatendo justamente o orgulho e o egoísmo que ainda nos caracterizam a personalidade. Julgamos, erroneamente, que Seus ensinamentos poderiam, de alguma forma, alimentar nossa vaidade pessoal, a qual é tão sutil que se disfarça de mil modos...
Percebendo nosso engano, afastamo-nos, cabisbaixos e entristecidos, colocando-nos como vitimados pela incompreensão. Nesses momentos nos perguntamos o que é que ainda nos falta... E Jesus nos responde: falta desprendimento...
Quando Ele fala de desprendimento, de desapego, não se refere apenas aos bens materiais mas também à preocupação excessiva em torno deles. Como dedicaremos algo de nosso tempo às questões de natureza espiritual, imprescindíveis à nossa felicidade futura, se nossa atenção está totalmente voltada às questões de ordem material?
Foi isso que o jovem rico não conseguiu compreender naquele momento. Considerando-se quite com as leis da Tora, pensava em conseguir somente a aprovação de Jesus para suas realizações de ordem material. Ele não tinha intenção de tornar-se bom; queria apenas fazer algo de bom, o que, em muitos casos, é um meio de alimentarmos nossa vaidade. E ficamos frustrados quando não conseguimos alimentá-la...
Em nossos momentos de desânimo diante dos ensinamentos de Jesus, mesmo acreditando em suas orientações, quando perguntamos a nós mesmos o que estaria nos faltando, recordemos essa lição: falta desprendimento, de tudo e de todos, dos bens materiais, da posse sobre os outros, do domínio sobre toda e qualquer situação...  O desprendimento nos predispõe à tranquilidade mental para conseguirmos dar um pouco mais de atenção à sublime mensagem de Jesus...
(Tema abordado na reunião pública do dia 13 de fevereiro de 2012)

sábado, 28 de janeiro de 2012

Chico Xavier e Isabel de Aragão, a Rainha Santa de Portugal

Médium: Valter Turini
Espírito: Monsenhor Eusébio Sintra

Clique aqui para saber mais sobre esse livro
Quando Chico Xavier tinha 17 anos de idade, ele estava em seu quarto, à noite, orando, de joelhos ao pé da cama. Viu seu quarto iluminar-se e uma senhora, de admirável presença, dirigiu-se a ele falando em castelhano. Mesmo ignorando esse idioma, entendeu perfeitamente o que ela dizia:
- Francisco, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, venho solicitar o seu auxílio em favor dos pobres, nossos irmãos.
Emocionado e em lágrimas, Chico lhe perguntou:
- Senhora, quem sois?
Ela lhe respondeu:
- Você não se lembra agora de mim; no entanto, sou Isabel, Isabel de Aragão.
Chico não conhecia nenhuma senhora com esse nome e estranhou o que ela lhe dizia; no entanto, uma força o continha, calando qualquer comentário. Perguntou então:
- Senhora, sou pobre e nada tenho para dar. Que auxílio poderei prestar aos mais pobres do que eu mesmo?
Ela esclareceu com doçura:
- Você nos auxiliará a repartir pães com os necessitados.
E Chico argumentou com pesar:
- Senhora, quase sempre, não tenho pão para mim. Como poderei repartir pães com os outros?
A senhora sorriu e esclareceu:
- Chegará o tempo em que você disporá de recursos. Você vai escrever para as nossas gentes peninsulares e, trabalhando por Jesus, não poderá receber vantagem material alguma pelas páginas que produzir, mas vamos providenciar para que os Mensageiros do Bem lhe tragam recursos para iniciar a tarefa. Confiemos na bondade do Senhor.
Chico passou as duas semanas seguintes sem entender o significado de “gentes peninsulares” e sem saber quem teria sido Isabel de Aragão. Uma noite, após suas preces, surge-lhe um Espírito que se identificou como Fernão Mendes, dizendo que havia sido, no século XIV, confessor de Isabel, a Rainha Santa de Portugal (1270-1336). Explicou-lhe o significado de “gentes peninsulares”, como sendo os habitantes da península européia; também lhe disse que, por recomendação dela, não lhe faltariam recursos para a distribuição de pães aos necessitados.
No primeiro sábado após essa ocorrência, Chico e sua irmã Luíza foram até uma ponte onde se refugiavam alguns indigentes. Levavam para eles um cesto com apenas oito pães que repartiram entre todos. Foi assim que ele iniciou essa tarefa em Pedro Leopoldo-MG, que durou de 1927 a 1958. Em janeiro de 1959 Chico mudou-se para Uberaba. Sua casa ficava vizinha de três núcleos de favelas. A distribuição de pães foi novamente retomada, atendendo àquelas comunidades carentes, todos os sábados, chegando a distribuir em torno de 1.500 pães por semana.
(Livro: Chico Xavier e Isabel, a Rainha Santa de Portugal – autor: Eduardo C. Monteiro)

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O vídeo abaixo mostra onde e como acontecia a distribuição de pães em Uberaba, MG:

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Questões irritantes


Qual o tipo de assunto que deve ser conversado nos instantes que antecedem as reuniões espíritas? Se a resposta pode ser demais abrangente, façamos a mesma pergunta na negativa: qual o tipo de conversa que não se deve abordar nos grupos espíritas?
Enganam-se aqueles que pensam que as orientações de Allan Kardec se aplicam somente para os que se declaram espíritas e/ou os que se afirmam médiuns.
Sem dúvida que muitas de suas orientações são dirigidas especificamente a uns e outros, mas há igualmente, inúmeros ensinamentos que se aplicam, sobretudo, aos freqüentadores de grupos espíritas, sejam estes dedicados trabalhadores no campo da mediunidade ou apenas simpatizantes.
Há uma situação que Kardec apresentou como muito perigosa: é quando o grupo se entrega às discussões acaloradas sobre temas que não são pertinentes à Doutrina. Ele chamou esses temas de “questões irritantes” e deixa bem claro que a manutenção de um ambiente harmonizado é de responsabilidade de todos os participantes das reuniões espíritas. Essas orientações foram direcionadas aos espíritas de Lyon (França), no ano de 1862, publicadas por Kardec em sua Revista Espírita, em fevereiro do mesmo ano. Disse ele sobre essa prática que, infelizmente, é mais comum do que pensa, nos meios espíritas:
“Devo ainda assinalar-vos outra tática dos nossos adversários: a de procurar comprometer os espíritas, induzindo-os a se afastarem do verdadeiro objetivo da Doutrina, que é o da moral, para abordarem questões que não são de sua alçada e que, a justo título, poderiam despertar susceptibilidades e desconfianças. Também não vos deixeis cair neste laço. Em vossas reuniões afastai cuidadosamente tudo quanto se refere à política e às questões irritantes.”
Muitos participantes de grupos espíritas encontram-se somente nos dias das reuniões e acabam aproveitando os instantes anteriores ao início das atividades para colocar “a conversa em dia”. Formam-se, assim, as inevitáveis “panelinhas”, cada qual tratando do que interessa aos seus componentes.
O problema não é o reencontro em si, nem as demonstrações carinhosas de amizade que se trocam, mas sim o que se conversa nesses momentos. Kardec citou, como exemplo, a política, um tema inconveniente para se discutir num grupo espírita. E poderemos acrescentar uma lista de outros temas considerados igualmente inconvenientes: desentendimentos no trânsito, custo de vida, dores físicas variadas, descasos na área da saúde, da segurança, da educação, direitos não respeitados, criminalidade, violência, críticas à obras públicas, corrupção, etc...
Além de causar um grande desconforto, pode gerar um clima de desconfiança entre todos, já que não se sabe, ao fundo, a opinião de cada um sobre esses assuntos. Sem contar o declínio das vibrações de natureza espiritual, comprometendo o andamento dos trabalhos mediúnicos que virão a seguir.
Certamente que esses assuntos são importantes para o bem estar da sociedade como um todo mas sua abordagem é perigosa quando feita num ambiente tão diferenciado, espiritualmente falando, como é o de uma casa espírita.
Essas orientações não se aplicam apenas aos freqüentadores de casas espíritas. Em qualquer ambiente onde nos encontremos, seja no lar, no trabalho, no meio social, discussões em torno de questões polêmicas desequilibram sobremaneira o ambiente, podendo gerar até inimizades.
O Benfeitor Espiritual Emmanuel afirma: basta que dediquemos a um acontecimento infeliz mais tempo que o mesmo mereça, para que entremos em sintonia com as mesmas vibrações desequilibradas que o envolvem. Sendo assim, a que risco nos expomos quando nos deixamos empolgar por comentários deprimentes em torno de questões inquietantes e perturbadoras.
O próprio Kardec foi duramente criticado por freqüentadores da Sociedade Espírita de Paris, que se sentiam incomodados pelo excesso de zelo com que ele conduzia as reuniões. Sabendo, por experiência própria, desses entraves no meio espírita, deixou uma recomendação importantíssima aos espíritas de Lyon, que continua válida atualmente:
“Procurai no Espiritismo aquilo que vos pode melhorar. Eis o essencial.”
Tais considerações não significam que não se deva manter um diálogo amigo entre os freqüentadores dos grupos espíritas. O problema é que o compromisso do grupo espírita não se restringe aos participantes encarnados mas, igualmente, com os desencarnados e, sabendo que os perturbadores são sempre em maior número, maior ainda se torna a necessidade de grande vigilância no emprego da palavra falada.
Com esse propósito é que o Apóstolo Paulo advertiu, em sua carta a Tito (Cap. 2, vers. 1) : “Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina”.
Aproveitemos os momentos em que estamos entre amigos nos grupos espíritas para abordarmos aqueles temas que nos engrandeçam a alma, que nos elevem a confiança e a esperança, que nos auxiliem a apreciar a bondade divina e a beleza da criação!
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Caso tenha interesse em ver o texto completo sobre as orientações de Kardec aos espíritas de Lyon, clique aqui.

(Tema abordado na reunião pública do dia 16 de janeiro de 2012)